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Em clima de final de Copa do Mundo, Barrichello fatura a pole position em Londrina

Como se fosse uma final de campeonato, Rubens escondeu o jogo, assim como em Curitiba, deixou o melhor para o final e vai largar na primeira posição em Londrina. Max Wilson larga em segundo com Marcos Gomes logo atrás. Paranaenses Julio Campos e Zonta largam em 5º e 10º, respectivamente.

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Emocionante até o último trecho, da última volta, do último desafiante à pole position, Rubens Barrichello comprovou que o Paraná lhe dá muita sorte, e fatura a sua segunda pole consecutiva em corridas no estado.

Mesmo com o domínio de Átila Abreu na sexta, e com o grande desempenho de Lucas Di Grassi no sábado de manhã, no último treino livre, Rubens tirou um tempo arrasador, e por detalhes tirou a pole das mãos de Max Wilson. A conquista teve direito a comemoração da equipe no mesmo estilo de um pênalti defendido, quando viram o erro de Marcos Gomes em sua tentativa.

“Isso me lembra dos bons tempos de F1, quando a gente tinha apenas uma volta para fazer na classificação. A gente dava tudo. Na Stock, quando o carro consegue andar entre os seis primeiros, significa que dá pra tirar mais ainda. Apesar do calor, o ‘véinho’ aqui ainda tá dando pro gasto, e estamos bem organizados”, disse o pole.

Assim sendo, e sem perder tempo, confira como foi essa odisseia em Londrina:

(Foto: Pedro Giulliano) Comemoração da pole teve direito até a saudosa e clássica sambadinha.

Q1

Aula de jornalismo básico, que nos é ensinado logo nos primeiros dias de aprendizado e profissão: “Nunca conte com o ovo antes que o sistema biológico intestinal da galinha faça seu trabalho até o final”, tomando a liberdade de não ser rude com o leitor, transcrevendo o que realmente se diz.

Rubens Barrichello é, além de piloto, agora professor de jornalismo, ao ensinar que não se deve avaliar um rendimento só pela tabela de tempos e ritmo de pista. Muito pelo contrário, deve-se levar muito em consideração a capacidade de acerto e experiência antes de cravar favoritos, barbadas e predileções.

Se este mero jornalista que vos escreve quisesse, poderia aproveitar o texto do classificatório da segunda etapa, realizada em Curitiba há um mês, e poderia colocar inteiro aqui, pois a sequência dos fatos seria a mesma, com apenas algumas mudanças de personagens, situações e, obviamente, lugar.

A receita foi a mesma de Curitiba, feita pra enganar jornalista e espectador afobado: Uma sexta-feira de treinos tímida, com tempos que não chamaram a atenção. No sábado pela manhã, no último treino livre antes da classificação, em que geralmente se tiram os tempos mais próximos do momento decisivo que os aguardam, Rubens não saiu de uma discreta 12ª posição, devendo meio segundo para Lucas Di Grassi, que andou no mesmo passo dominante que Átila Abreu no dia anterior.

(Foto: Pedro Giulliano) Barrichello dando aula para os locais e para Londrina, ao fundo.

Divididos em dois grupos iguais, os brutos entraram na pista para fazer seus tempos visando ultrapassar a linha de corte da 15ª posição, que seriam os eleitos para irem a segunda fase da classificação.

Daniel Serra, que também é um cara que guarda seus truques na manga e, tal qual Barrichello também estava guardando um bom carro para a classificação, fez um temporal de 1.10.550, sendo ele o cara a ser perseguido durante essa parte.

Barrichello já colocava as suas mangas para fora, e no seu quarto giro de tentativa, já figurava na 7ª colocação.

Durante as voltas rápidas dos postulantes, houve um atrito entre Bia Figueiredo e Valdeno Brito, que chegaram a discutir após tirarem os capacetes fora do carro. Valdeno acusou Bia de atrasar seu ritmo durante a última volta rápida dele, que estava em 18º e vinha num bom ritmo para ficar entre os 15 primeiros que passariam de fase. “Ela deliberadamente ficou na minha frente, e ela sabia que eu estava em ritmo de volta lançada”, defende Brito.

Na resposta, Bia garante que havia sim desacelerado, pois estava para entrar nos boxes, e que deu espaço para Valdeno passar. “Eu liberei espaço, mas estávamos em tangência de curva. É claro que eu iria estar ali no caminho”, disse Bia.

Entre idas e vindas à secretaria de prova, reuniões e apelações de ambos os lados durante o dia todo, apenas no fim da tarde veio o veredito da direção de prova, e Bia Figueiredo teve sua melhor volta do treino descartada por atitude antidesportiva contra Valdeno Brito. O que não fez tanta diferença, pois na tabela ela só caiu três posições e largará na 23ª colocação.

Passaram para a segunda fase do treino: Serra, Marcos Gomes, Fraga, Di Grassi, Pizzonia, Max Wilson, Barrichello, Vitor Genz, Thiago Camilo, Rafael Suzuki, Átila Abreu, Julio Campos, Ricardo Zonta, Ricardo Maurício, e Cacá Bueno.

Tabela oficial do Q1, com o descritivo da punição aferida para Bia Figueredo.

Q2

Com a pista mais vazia, o tráfego não era problema, e assim sendo, os caras sentaram a botina. Marcos Gomes voou baixo e fez o seu melhor tempo do fim de semana, com 1.10.499.

E advinha quem aparecia logo em segundo, já com as orelhas do coelho nas mãos? Ele mesmo, Rubens Barrichello, fazendo o tempo de 1.10.569, devendo apenas 0.070 para Gomes.

Logo ao fim do treino, Daniel Suzuki, que vinha com boa consistência de voltas e flertando com o tempo na casa de 1.10, foi de cara no muro em sua quarta volta de tentativa.

Assim sendo, passaram para a fase final os seis candidatos a posição de honra, e eram eles: Gomes, Barrichello, Serra, Max Wilson, Julio Campos e Felipe Fraga.

Tabela final do Q2. Apenas os seis primeiros foram avante.

Q3

Respeitando a ordem inversa, do sexto para o primeiro no Q2, o primeiro a tentar a sorte na abrasiva pista de Londrina foi Felipe Fraga. Fez dois bons primeiros trechos, mas escorregou na última perna da pista, fechou sua tentativa em 1.11.032.

O curitibano Julio Campos entrou na pista e cometeu o mesmo pecado que Fraga. Fechou sua volta com 1.11.063.

Após ele, foi a vez de Max Wilson, que fez uma volta perfeita, e baixou mais ainda a linha de corte para quem viria após ele. Fez os três trechos da pista de forma impecável e fechou seu giro com 1.10.675

Serra, ao contrário do seu companheiro de equipe, já percorreu um primeiro trecho devendo 0.130 para Max. A chance dele era tirar esse atraso nos outros dois setores, mas no último, antes de apontar na reta, o carro saiu de lado e ele fechou a volta devendo quase 1 segundo para o ponteiro. Fechou o giro em 1.11.580

Aí entrou o mágico. Barrichello, prevalecendo-se de sua experiência nos antigos tempos da F1, em que a classificação era feita uma volta por vez para cada piloto, fez valer a sua experiência e tirou o resto do coelho que já estava em sua mão desde o Q2, tirando o temporal de 1.10.662, a apenas 0.013 de Wilson.

(Foto: Pedro Giulliano) Marcos Gomes entrou na pista com a mesma responsabilidade que um jogador ao bater o último pênalti de uma decisão.

Só faltava um para tentar a sorte, e o clima do autódromo era de final de campeonato decidido nos pênaltis. Todos os mecânicos, engenheiros e espectadores, principalmente os da FullTime Racing, equipe de Barrichello, estavam com os olhos vidrados nas suas telas de tempo, e viam em Marcos Gomes uma espécie de ultimo cobrador de pênalti do time adversário, naquela clássica situação de que “se errar, o nosso time é campeão”.

Gomes foi para a pista, e para aumentar a agonia, fez um primeiro trecho perfeito, 0.020 mais rápido que Barrichello. Para aumentar a tensão, e fazer as mãos dos integrantes da equipe FullTime suarem frias, Gomes fez um segundo trecho semelhante ao de Barrichello.

Até então, pela matemática, a liderança de Barrichello estava ameaçada. Mas no mesmo ponto em que Fraga errou em sua volta no começo do treino, Gomes também deu uma rabeada de carro na entrada da reta.

Ao ver esse lance na TV, os integrantes da equipe FullTime já pulavam de felicidade antes mesmo de Gomes passar pela linha de chegada, com o tempo de 1.10.831, este que levou para casa a terceira posição do grid.

A pole estava garantida no laço do último trecho, da última volta, do último concorrente, e Barrichello já considera adotar o Paraná como terreno criador e oficial de seus coelhos particulares. “Aqui sempre me deu sorte, eu adoro Londrina, e não poderia ser melhor assim”, finaliza.

(Foto: Pedro Giulliano) Barrichello recebe abraço de um graaaande amiiiigo… Galvão Bueno.

Assim sendo, a ordem do grid desse domingo em Londrina é essa:

1 111 RUBENS BARRICHELLO SP FULL TIME 1:10.662
2 65 MAX WILSON SP RC/EUROFARMA 1:10.675 +0.013
3 80 MARCOS GOMES SP CIMED 1:10.831 +0.169
4 88 FELIPE FRAGA PA CIMED 1:11.032 +0.370
5 4 JÚLIO CAMPOS PR PRATI DONADUZZI 1:11.063 +0.401
6 29 DANIEL SERRA SP RC/EUROFARMA 1:11.580 +0.918
7 11 LUCAS DI GRASSI SP HERO 1:10.701 +0.039
8 90 RICARDO MAURÍCIO SP FULL TIME 1:10.729 +0.067
9 0 CACÁ BUENO RJ CIMED 1:10.792 +0.130
10 51 ÁTILA ABREU SP SHELL RACING 1:10.813 +0.151
11 10 RICARDO ZONTA PR SHELL RACING 1:10.843 +0.181
12 21 THIAGO CAMILO SP A.MATTHEIS 1:10.900 +0.238
13 46 VITOR GENZ RS CARLOS ALVES/EISENBAHN 1:10.930 +0.268
14 8 RAFAEL SUZUKI SP HOT CAR/BARDAHL 1:10.951 +0.289
15 1 ANTONIO PIZZONIA AM PRATI DONADUZZI 1:10.986 +0.324
16 70 DIEGO NUNES SP FULL TIME 1:10.983 +0.321
17 110 FELIPE LAPENNA SP CAVALEIRO 1:11.030 +0.368
18 77 VALDENO BRITO PB CARLOS ALVES/EISENBAHN 1:11.058 +0.396
19 33 NELSINHO PIQUET DF FULL TIME 1:11.091 +0.429
20 3 BIA FIGUEIREDO SP A.MATTHEIS 1:11.094 +0.432
21 73 SÉRGIO JIMENEZ SP SQUADRA G-FORCE 1:11.133 +0.471
22 44 BRUNO BAPTISTA SP HERO 1:11.148 +0.486
23 83 GABRIEL CASAGRANDE PR VOGEL 1:11.164 +0.502
24 18 ALLAM KHODAIR SP BLAU 1:11.204 +0.542
25 30 CÉSAR RAMOS RS BLAU 1:11.217 +0.555
26 5 DENIS NAVARRO SP CAVALEIRO 1:11.243 +0.581
27 12 LUCAS FORESTI DF CIMED 1:11.245 +0.583
28 28 GALID OSMAN SP CAVALEIRO 1:11.329 +0.667
29 117 GUILHERME SALAS SP HOT CAR/BARDAHL 1:11.413 +0.751
30 25 TUKA ROCHA SP VOGEL 1:11.507 +0.845
31 9 GUGA LIMA PR SQUADRA G-FORCE 1:11.830 +1.168

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