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Contra tudo e contra todos, até contra si mesmo, Roberval Andrade é Campeão da Truck 2018

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Buda uma vez disse que é “melhor conquistar a si mesmo do que vencer mil batalhas”, e esse foi o exercício que Roberval Andrade teve de fazer para sagrar-se campeão da temporada 2018 da Copa Truck. Em uma corrida repleta de reviravoltas, o dono do caminhão corinthiano número 15 flertou com o perigo de colocar tudo a perder durante alguns momentos da prova, mas controlou seu próprio ego no fim da segunda bateria, preservou equipamento e venceu o campeonato por apenas 2 pontos de diferença.

Roberval Andrade também encerrou com chave de ouro uma parceira de 19 anos com a Scania, que lhe rendeu 4 títulos contando com o recém conquistado neste domingo. Em 2019, o número 15 e a inseparável bandeira do Corinthians estarão estampadas em um caminhão da Mercedes-Benz.

Seus principais concorrentes tiveram revezes consideráveis durante todo domingo. Felipe Giaffone, apesar de uma ótima consistência durante as duas baterias, viu a chance do título escapar por conta de um problema na turbina ao fim da primeira bateria, mesmo lutando até o fim. André Marques, líder do campeonato e franco favorito pelos resultados ao longo do ano, rodou no óleo na primeira bateria e quebrou o caminhão na segunda. Wellington Cirino, mesmo fazendo uma corrida inteligente, não achou potência suficiente para brigar na frente. Giuliano Losacco e Renato Martins já tinham remotas chances, mas também sofreram com a falta de desempenho.

Roberval Andrade a frente de Felipe Giaffone. Foto: Michele Pessoa | Mundo Velocidade

Fazia muito tempo que a Truck não visitava a cidade, e de forma a retribuir a saudade, as arquibancadas do Autódromo Internacional Raul Boesel, em Pinhais, ficaram lotadas como há muito tempo não se via. Em troca de gentilezas, os pilotos retribuíram o carinho do público e proporcionaram uma das melhores corridas da temporada.

Confira como foi

PRIMEIRA BATERIA

O ânimo e a expectativa tomavam a mente das equipes, dos pilotos e do imaginário do público presente. Demonstrando um grande equilíbrio e uma fórmula de distribuição de pontos equalizada, depois de 7 etapas, dos 20 pilotos do grid, 6 chegavam à última prova com reais chances de título.

Apenas 8 pontos separavam os 4 primeiros. André Marques chegava como líder do campeonato, mas tinha na sua cola Roberval Andrade, Felipe Giaffone e Wellington Cirino. Com remotas chances, Renato Martins e Giuliano Losacco dividiam a 5ª colocação na tabela, devendo apenas 18 pontos para o líder. Tendo em vista que só a segunda bateria dava ao vencedor esta quantidade de pontos, ambos estavam, matematicamente, na disputa pelo título.

Danilo Dirani largou na pole depois de voar nos treinos classificatórios de sábado, mas, como jogo é jogo e treino é treino, logo na largada, Roberval Andrade e Felipe Giaffone engoliram Dirani ao fim da reta, polarizando a disputa lá na frente tendo Giaffone como líder.

O primeiro susto de Roberval vem logo aos 5 minutos de corrida. Com muita sede ao pote e na tentativa de roubar a liderança de Giaffone, Roberval quase perde a traseira do seu Scania na entrada da curva do pinheirinho.

André Marques chegou líder do campeonato, mas a sorte não ajudou. Foto: Michele Pessoa | Mundo Velocidade

Mais atrás, André Marques, o líder do campeonato, roda sozinho no miolo ao passar em cima de uma poça de óleo, enquanto tentava escalar o grid para defender a sua liderança. A rodada danificou seu caminhão, que recolheu aos boxes e ficou 3 voltas parado para arrumar. A liderança do campeonato e, por conseguinte, o título começava a escapar por entre seus dedos.

Roberval, na mesma poça, toma o segundo susto no dia e também vai passear na grama faltando 13 minutos para o fim. Porém, a sorte se fez presente para Roberval e, além da passeada na grama não ter danificado o caminhão, Giaffone, que gozava de uma confortável liderança, teve problemas na vedação do turbo compressor. O caminhão número 4 perdeu potência e não ofereceu resistência para Roberval, que tirou a diferença, assumiu a liderança e venceu a primeira bateria, seguido por Giaffone, Leandro Totti, Cirino e Beto Monteiro.

*SEGUNDA BATERIA *

Com o resultado da primeira bateria, Roberval assumira a liderança provisória do campeonato por dois pontos. Enquanto a formação de grid para a segunda bateria acontecia na reta principal, Giaffone foi obrigado a parar nos boxes para soldar novamente a conexão do turbo compressor, obrigando-o a largar ao fim do pelotão.

Na frente e com o grid invertido, Adalberto Jardim e Renato Martins largaram a frente e mantiveram as posições de honra depois da largada.

Fazendo uma corrida de recuperação, Giaffone e André Marques entraram em parceria e escalavam o pelotão volta após volta.

O óleo na pista foi um personagem decisivo na final. Foto: Michele Pessoa | Mundo Velocidade

Faltando 22 minutos para o fim, o óleo na pista fez mais duas vítimas. Duda Bana e Renato Martins rodam na pista, ficando o prejuízo maior para Martins, que estava na segunda colocação e dava adeus às chances de campeonato.

André Marques, faltando 20 min para acabar a corrida e em boa posição de tentar a vitória, sofreu uma quebra na bomba de direção hidráulica do seu Mercedes 77. Abandonou a prova e todas as chances de conquistar o título da categoria.

Lá na frente, Adalberto Jardim e Beto Monteiro brigam pela ponta. Roberval toma seu terceiro susto, indo novamente com muita sede ao pote tentando passar pelo meio dos dois ponteiros, fazendo um sanduíche cujo recheio era seu Scania número 15.

Óbvio que não deu certo, tomou uma fechada de ambos e quase joga o campeonato fora pela terceira vez. Giaffone, que já havia escalado todo o grid e estava em quarto, observava o sanduíche caminhoneiro acontecer e se preparava para dar o bote.

Faltando 12 min para o fim de prova, Adalberto e Beto Monteiro se estranham na ponta, acabam rodando ao fim da reta e a liderança ficou de presente para Roberval, trazendo Giaffone a tira colo.

Dali para frente repetiu-se o duelo de gigantes da primeira bateria. Roberval e Giaffone passaram o terço final da corrida caçando um ao outro, tendo Cirino na terceira colocação, pronto para lucrar caso os dois se enroscassem.

Faltando duas voltas para o fim, Giaffone heroicamente passa Roberval na reta e assume a liderança, dando o troco da primeira bateria na mesma proporção.

Foi nesse momento em que Roberval se lembrou da frase de Buda, controlou o ímpeto e o próprio ego. “Ainda mais faltando pouco para terminar, eu podia ser ganancioso e tentar a vitória na segunda bateria também, mas me controlei e pensei no campeonato”, disse.

Roberval seguiu Giaffone que venceu a prova, mas com sua segunda colocação, garantiu o 4º título de caminhões em campeonatos no Brasil.

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